Estendendo nosso bate-papo com o fundador das Farmácias Nissei, que construiu sua trajetória no varejo farmacêutico com foco em gestão. Nesta entrevista, ele fala sobre preparo, oportunidades e crescimento com metas possíveis. Comenta como avalia aquisições e como planeja a expansão da rede. Também aborda a sucessão, a passagem do cargo de CEO ao filho e o papel do conselho. Confira!
MEX BRASIL – Na trajetória destes 40 anos da Nissei, vemos muita dedicação, trabalho duro, mas também muita sorte. O senhor se considera um homem de sorte?
Sérgio Maeoka – Bem, eu acredito que tudo o que você faz, você faz com muito cuidado e muito conhecimento. Aí você já tem metade do caminho — ou 70% do caminho — desenhado. As vantagens que eu tenho de tocar isso, até agora, é que conheço a fundo o mercado de farmácia e como fazer, como melhorar a gestão de cada momento da farmácia. Quando você tem, ainda, a sorte de isso se transformar em ventos positivos, naturalmente que isso agrega muito mais. Algumas pessoas até dizem: ‘O Sérgio tem uma sorte danada’”. Tudo bem. Mas eu gosto de afirmar, a minha sorte é sempre estar atento às oportunidades.
MEX BRASIL – A Nissei teve várias fases de expansão, mas certamente uma das mais significativas foi de quando você sai de quatro para 10 farmácias e em seguida, para 30. O que mudou dentro de você nesse momento?
Sérgio Maeoka – Eu penso que você tem que sonhar com algo que seja possível. O meu primeiro carro foi um Fusca. Eu sonhei que queria ter um carro quando fizesse 18 anos, então comprei meu primeiro Fusca zero quilômetro com 18 anos. Quando você sonha quer dizer, quando você tem um projeto —, e sabe que, se trabalhar, fizer uma boa estratégia e se dedicar, vai chegar lá. Então, você termina essa fase. Na hora em que está terminando essa fase, renove o sonho e fale: “Olha, eu quero ir até dez farmácias”. Mas, dessas dez farmácias, eu falo: “Agora, o meu projeto é ir para 30 farmácias”. Depois que eu cheguei a 30 farmácias, o meu novo desafio é ir para 100 farmácias. Eu não falei: “Vamos ter mil lojas” quando eu tinha 200 lojas. O sonho torna-se tão distante que talvez você perca o foco. Então, você tem que fazer planos que consiga enxergar. Planos de quatro, cinco anos, por exemplo. A partir daí, você coloca um planejamento e um plano de ação de como chegar lá.
MEX BRASIL – Você adquiriu várias redes, não é mesmo. Como você avalia uma boa rede e uma que não é tão boa?
Sérgio Maeoka – Você tem que adquirir algo que agregue. Eu comprei a Drogamed porque com essa compra, eu teria os melhores pontos comerciais de Curitiba. Porque a Drogamed anteriormente havia adquirido a Minerva. Então, você tem alguns lugares em que, historicamente, farmácia sempre foi um dos melhores pontos. Com isso, você agrega valor para o negócio. Não é comprar por comprar, ou porque está vendendo, mas avaliar se aquilo faz sentido para a sua operação, se agrega e se dá valor.
MEX BRASIL – Hoje a Nissei está no Paraná, em Santa Catarina, em São Paulo, em Goiás e no Distrito Federal. Qual é o sonho para os próximos cinco anos?
Sérgio Maeoka – Hoje, nós somos a sétima rede de farmácias do Brasil. E eu tenho, na minha mente, que a gente vai ficar entre as cinco. Já estou até desenhando como chegaremos lá. E é um sonho possível
MEX BRASIL – Hoje seu filho é o CEO da Rede de Farmácias Nissei. Qual foi a parte mais desafiadora de fazer essa transição?
Sérgio Maeoka – A sucessão já vinha sendo desenhada havia bastante tempo. Meu filho fez a faculdade, e aí a gente já tinha combinado que, quando ele terminasse, teria que sair da empresa e fazer um estágio de dois a três anos fora da Rede, em uma empresa diferente, para adquirir outra visão do negócio e também para ter chefe. Para esse desenvolvimento externo, ele ficou numa indústria farmacêutica. E, quando voltou, retornou como diretor, cuidando de uma área. Nesse período, foi aprimorando, acompanhando tudo e a evolução das coisas. No meu projeto particular, eu ia deixar a empresa com 60 anos. Como não foi possível por causa da pandemia aos 62 anos, eu fiz a primeira transição. Montei a nova diretoria e coloquei o meu filho como CEO da empresa. Durante um ano, não participei de nada. Um ano depois, eu voltei e corrigi várias coisas que estavam saindo um pouquinho do rumo. Agora ele está praticamente tocando o negócio sozinho. E, quando necessário eu atuo como um conselheiro. Eu acho que a gente tem que olhar para o negócio e, dentro dele, ver quais são as estratégias mais adequadas. Você tem que estar consciente disso, senão, às vezes, o “achômetro” é a pior coisa que existe.
MEX BRASIL – E o que o Sérgio vai fazer agora?
Sérgio Maeoka – Eu tenho várias ideias. Independentemente da época em que eu estava na farmácia, eu sempre trabalhei em outras áreas, tenho minhas ações sociais, algumas fazendas e outros projetos pessoais. Não vai faltar o que fazer, tenho certeza.